Declaração Lastimável

 

Nesta terça-feira, dia 26/06/2007, após o almoço, comecei a minha tarde com náuseas.

Assistindo ao telejornal Hoje, pela Rede Globo, presenciei a declaração do pai de um dos rapazes que espancaram a empregada doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto, 32 anos, na madrugada de sábado, 23 de junho, no Rio de Janeiro, na qual ele tecia o seguinte comentário ao repórter que lhe estava entrevistando: ” Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, estão estudando e trabalham, presos. Colocar numa Polinter com outros bandidos que a gente sabe o que está acontecendo na Ilha, no Morro do Cruzeiro, da Penha, misturar essas pessoas que estudam, que têm caráter, junto com uns caras desses ?”

O cidadão que proferiu este lastimável comentário, o Sr. Ludovico Carvalho, foi o causador deste meu mal estar. O problema, é que, além das náuseas, a “brilhante” declaração do referido cidadão me fez re-avaliar minhas expectativas com relação ao futuro dos meus filhos, e, ainda, em relação à minha fé na virtude do ser humano.

No tempo dos meus avós e dos meus pais (e no meu também, que tive a sorte de ter um pai que me educou com severidade, pelo que lhe sou eternamente grato), um homem que agisse da forma como agiram esses rapazes, se não fosse punido pelos rigores da Lei e do Direito, certamente o seria pelo pátrio poder de seu respectivo genitor, se este tivesse, pelo menos, um resquício de hombridade e respeito pelo seu nome, e prezasse, ainda que minimamente, a honra e o caráter.

O grande mau dos dias de hoje é que teoria e a ciência estão passando por cima da prática e da experiência. Tudo está se fazendo para racionalizar a educação dos jovens, com aprofundamentos em psicologia e pedagogia, o que não é errado. Contudo, quando o resultado prático não corresponde ao que se espera da aplicação desta teoria, deve-se mudar de tática. Isso é o que está ocorrendo com a educação das crianças e jovens. Todo mundo diz que a velha “palmada” é coisa do passado, e que dar um castigo, de vez em quando, é errado. Aconselha-se, por outro lado, a conversa, pura simples. Penso que somente argumentar, por vezes, não resolve de maneira definitiva. Neste caso, em especial, a conversa, somente, já não resolve mais.

Nosso futuro caminha, infelizmente, para o caos. Uma “gangue” como esta, acobertada por pais que os consideram apenas “crianças”, é a materialização da péssima educação que os pais estão dando aos jovens, hoje em dia, sob o pretexto de que argumentar é o único caminho, e que sempre se deve explicar a origem do ” não“.

Ora, meu pai dizia: não, e pronto! E eu sabia o motivo.

Esses cinco rapazes são o reflexo da educação que receberam de seus pais. Tentei, por várias vezes, achar uma explicação para a atitude destes criminosos, mas somente cheguei a uma conclusão definitiva ao assistir, embasbacado, à declaração do Sr. Ludovico. Não se poderia esperar outra coisa de um jovem que tenha sido criado com tanta irresponsabilidade. Só falta agora, o Sr. Ludovico culpar a polícia ou o estado, dizendo que a culpa é do sistema, ou, quem sabe, da própria Sirley, por estar lá, naquele momento.

Espero, sinceramente, que o Sr. Ludovico olhe bem para o seu filho, e para o estrago que ele fez no corpo e na alma da Senhora Sirley, e veja que ele já cresceu e que não dá mais pra passar a mão na cabeça dele e conversar. Se os pais não educam, a sociedade tem o direito e o dever de educar do seu modo.

Chapecó, 27 de junho de 2007.

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